Archive for the ‘Circulares à imprensa’ Category

Julho no TCSB: Tiago Cadete, pelo Citemor, e García Lorca, pelo Teatro das Beiras

Segunda-feira, Julho 13th, 2020

O Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra, acolhe na segunda quinzena de Julho o espectáculo de abertura do Citemor – Festival de Teatro de Montemor-o-Velho e a mais recente criação do Teatro das Beiras. As duas propostas assinalam a reabertura ao público do espaço programado pel’A Escola da Noite e encerram a temporada 2019/2020 deste equipamento municipal.

“Atlântico”, de Tiago Cadete

“Atlântico”, de Tiago Cadete (foto: Raphael Fonseca)

Desde 2012, o Teatro da Cerca de São Bernardo tem acolhido regularmente a extensão a Coimbra do Citemor. Nesta 42.ª edição do Festival de Montemor-o-Velho, Tiago Cadete regressa ao palco do TCSB para uma apresentação informal do seu mais recente projecto, no âmbito de uma residência de criação artística.
Quatro anos depois de aqui ter apresentado, também a convite do Citemor, o espectáculo “Alla Prima”, que abordava as construções de uma ideia de corpo brasileiro, Tiago Cadete abre agora as portas do processo de construção de “Atlântico”, o seu terceiro trabalho sobre as relações entre Portugal e Brasil.
De acordo com o próprio artista, Atlântico “parte de uma viagem de cruzeiro de Portugal em direcção ao Brasil, percurso outrora desconhecido pelos portugueses, transformado nos dias de hoje em rota de férias”. “Turistas viajam pelo mesmo caminho que já foi trânsito de corpos escravizados ou de marinheiros obrigados a sair do seu país para explorar esse denominado ‘Novo Mundo'”, um oceano que é também “lugar de fábulas e monstros, desafios e superações”. “Que novo Atlântico é esse e que memórias traz quando passamos por ele?” – pergunta o criador.
Tiago Cadete nasceu em Portugal e vive actualmente entre Portugal e o Brasil. O seu trabalho situa-se na fronteira entre as artes performativas e visuais. Licenciado em Teatro pela Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa e pós-graduado em Sistema Laban/Bartenieff – Faculdade de dança Angel Vianna / Laban (Rio de Janeiro), frequenta actualmente o doutoramento em artes visuais na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EBA-UFRJ). Ao longo do seu percurso, colaborou com os coreógrafos Francisco Camacho, Carlota Lagido, David Marques, Sílvia Real, Mariana Tengner Barros, Rafael Alvarez, Gustavo Ciríaco e Tino Sehgal e com os encenadores Jorge Andrade, John Romão, Jorge Silva Melo, João Brites, Alfredo Martins. O seu trabalho tem sido apresentado em diversos países: Portugal, Rússia, República Checa, Roménia, Espanha, França, Brasil, Bélgica, México, China, Cuba, Estados Unidos da América, Reino Unido, Argentina e Uruguai, entre outros.
Com música de Bruno Pernadas, luz de Rui Monteiro, figurino de Carlota Lagido e interpretação do próprio Tiago Cadete (também responsável pelo vídeo), “Atlântico” é uma co-produção entre o Teatro Nacional D. Maria II, o Teatro das Figuras – Faro e o Citemor, com estreia marcada para Lisboa, no próximo mês de Dezembro.
A apresentação informal em Coimbra terá lugar a 24 de Julho, sexta-feira, pelas 21h30. Como é habitual nos espectáculos promovidos pelo Citemor, o preço do bilhete é definido pelo espectador.

“O pequeno retábulo de García Lorca”, pelo Teatro das Beiras

Na semana seguinte, a 29 de Julho, o Teatro das Beiras apresenta em Coimbra o seu recém-estreado espectáculo, que visita a obra de um autor particularmente querido para A Escola da Noite. “Pequeno retábulo de García Lorca” é uma criação original a partir da obra do poeta, dramaturgo, artista plástico, músico e guionista espanhol Federico García Lorca. O espectáculo conjuga poesia, música e teatro e assume como objectivo “despertar a memória histórica em torno da biografia do autor universalmente consagrado, nascido em Granada no ano 1898 e fuzilado pelas tropas fascistas, nessa mesma cidade, em 1936, nos inícios da Guerra Civil espanhola”. A partir de textos de referência – adianta a companhia da Covilhã – esta nova criação estabelece “a evidência da herança da teatralidade popular mediterrânica, a par das influências do movimento modernista na corrente surrealista”.
A sessão no TCSB tem início às 21h30 e os bilhetes custam entre 6 e 10 euros, podendo ser reservados pelos contactos habituais: 239 718 238 / 966 302 488 / geral@aescoladanoite.pt.

Coimbra, Teatro da Cerca de São Bernardo
Programação de 20 de Julho a 2 de Agosto de 2020

TEATRO
Atlântico
Tiago Cadete
(residência de criação, apresentação informal – 42.º Citemor)
24 de Julho de 2020
sexta-feira, 21h30

criação, interpretação e vídeo Tiago Cadete música Bruno Pernadas luz Rui Monteiro figurino Carlota Lagido apoio à dramaturgia Bernardo de Almeida voz off Leonor Cabral
direcção técnica Nuno Patinho assessoria de imprensa Mafalda Simões produção Co-pacabana co-produção Teatro Nacional D. Maria II, Teatro Municipal de Faro, Festival Citemor
M/12 | 50′
Espectáculo integrado na extensão a Coimbra do 42.º Citemor – Festival de Montemor-o-Velho

Preços: a definir pelo espectador


TEATRO
Pequeno retábulo de García Lorca
Teatro das Beiras
29 de Julho de 2020
quarta-feira, 21h30

autor Federico García Lorca
dramaturgia e encenação Gil Salgueiro Nave cenografia e figurinos Luís Mouro interpretação Fernando Landeira, Roberto Jácome, Sílvia Morais, Susana Gouveia e Tiago Moreira
M/14 > 60′

Preços
Bilhete normal: 10€
Estudantes, jovens, M/65 anos, profissionais e amadores/as de teatro: 6€
Entidades protocoladas TCSB, Funcionários/as da CMC: 5€
Alunos/as do ensino artístico (FLUC, ESEC e Colégio São Teotónio): 3€
Assinaturas TCSB: 5 entradas – 30€; 10+1 entradas – 50€

informações e reservas
239 718 238 / 966 302 488 / geral@aescoladanoite.pt

Covid-19 – Plano de Prevenção e Contingência do TCSB
De acordo com a Orientação da DGS 28/2020, de 28 de Maio, a lotação e a ocupação da sala estão condicionadas: os lugares são marcados e será respeitada a distância de uma cadeira entre cada lugar ocupado. É obrigatória a utilização de máscara no interior do Teatro e o cumprimento das demais condições de segurança indicadas à entrada do edifício.

A Escola da Noite prepara dois espectáculos de Matéi Visniec

Quarta-feira, Junho 24th, 2020
Matéi Visniec (foto: Cato Leim)

Após dois meses e meio de paragem forçada, A Escola da Noite retomou os ensaios no início de Junho e prepara a estreia de duas novas criações, marcadas para os próximos meses de Setembro e Outubro. As inevitáveis alterações ao plano de actividades que estava previsto levaram a companhia de Coimbra de novo ao encontro do dramaturgo romeno Matéi Visniec. “Palhaço Velho, Precisa-se!” e “Do sexo da mulher como campo de batalha na Guerra da Bósnia” são as propostas do grupo para depois do Verão, no Teatro da Cerca de São Bernardo.

Autor de “Da sensação de elasticidade quando se marcha sobre cadáveres”, que A Escola da Noite apresentou em estreia mundial em Coimbra em 2014, Matéi Visniec continua a ser um dramaturgo particularmente caro à companhia, que encontra na sua vasta obra múltiplos desafios e motivos de interesse.
Nascido na Roménia em 1956, Visniec destacou-se na paisagem literária do seu país nos anos 80 do século XX. Os seus trabalhos foram proibidos pelo Governo de Nicolae Ceausescu e em 1987 exilou-se em França, onde continua a residir e trabalha como jornalista para a Radio France Internationale. Tem mais de 30 peças editadas e já foi representado em países como Itália, Grã-Bretanha, Polónia, Turquia, Suécia, Alemanha, Israel, Estados Unidos Canadá, Japão e Brasil. É o autor dramático vivo mais representado na Roménia e foi distinguido com o Prémio Europeu 2009 da SACD e com o Prémio “Coup de Coeur” (imprensa) no Festival Off de Avignon, em 2008 e em 2009, entre outros. Em Portugal, para além d’A Escola da Noite, viu espectáculos seus encenados pela Companhia de Teatro de Almada (2017), pela Seiva Trupe (2016), por A Bruxa Teatro (2003 e 2005) e pelo Teatro Extremo (2003).

A cultura como “espaço de liberdade e reflexão”
Matéi Visniec admite que encontrou na literatura um espaço de liberdade e de resistência contra os totalitarismos e reconhece a admiração por autores como Kafka, Dostoievski, Camus, Beckett, Ionesco e Lautréamont, bem como as influências de correntes artísticas como o surrealismo, o dadaísmo, o teatro do absurdo e do grotesco. No texto que, em 2014, escreveu para o programa do espectáculo d’A Escola da Noite, afirmava fazer “parte de uma geração que encontrou na resistência cultural a resposta para a lavagem ao cérebro, o seu orgulho e a sua dignidade”. “A cultura — acrescentava o escritor romeno — foi sempre um espaço de liberdade e de reflexão, de resistência contra a arregimentação do homem e contra a manipulação (pelas ‘grandes ideias’ mas também pela sociedade de consumo, pela publicidade, e pela indústria de entretenimento ou pela imagem, tão poderosa nos nossos dias)”.
Acreditando que a literatura é “o espelho do homem e dos seus sofrimentos, das suas dúvidas e dos seus combates”, Matéi Visniec oferece-nos nas duas peças agora trabalhadas pel’A Escola da Noite, escritas em diferentes momentos do seu percurso, a oportunidade de reflectirmos sobre alguns aspectos que marcam, por vezes de forma trágica, as sociedades europeias contemporâneas.

“Uma peça para o nosso tempo”
Em “Palhaço Velho, Precisa-se!” (“Petit Boulot pour vieux clown”, escrita em 1986), três palhaços velhos, com dificuldades económicas e sem trabalho, encontram-se numa sala de espera para uma entrevista de emprego. Alguém procura um “palhaço velho” para um “pequeno trabalho” e as três personagens precisam desesperadamente de provar que estão à altura da “oportunidade”. A alegria do reencontro, o confronto com as memórias de cada um e a competição em que se vêem envolvidos conjugam-se, no espaço apertado e claustrofóbico de uma sala de espera ante uma porta fechada, numa espécie de comédia trágica, com humor, tensão e perfídia. Em todos os países onde foi levada à cena têm sido identificadas as influências de “À espera de Godot”, de Samuel Beckett, também por se tratar de uma situação onde, aparentemente, “não acontece nada” para além dos (fortíssimos) diálogos entre personagens. Numa outra perspectiva, o crítico teatral dos Estados Unidos Peter Filichia escrevia em 2004: “é, definitivamente, uma peça para o nosso tempo. (…) Ela lida não só com a profunda ansiedade de um indívíduo que está desempregado mas também com o medo genuíno de que esteja demasiado velho para o mercado de trabalho.”
Com encenação de António Augusto Barros, interpretação de Igor Lebreaud, Miguel Magalhães e Ricardo Kalash, cenografia de João Mendes Ribeiro e Luísa Bebiano, figurinos de Ana Rosa Assunção e desenho de luz de Danilo Pinto, “Palhaço Velho, Precisa-se” estreará em Coimbra, no Teatro da Cerca de São Bernardo, em meados de Setembro.

A mulher como campo de batalha
“Do sexo da mulher como campo de batalha na guerra da Bósnia” (“La femme comme champ de bataille ou Du sexe de la femme comme champ de bataille dans la guerre en Bosnie”, escrita em 1996) evidencia no seu próprio título o assunto que nos é proposto. Dorra foi violada durante a Guerra da Bósnia (1992-1995) e está internada na Alemanha, onde conhece Kate, psicóloga norte-americana que integrou uma equipa de especialistas em abrir valas comuns no chão da antiga Jugoslávia. A peça é um pujante retrato da guerra e da forma particular como, nesta e em outras guerras, as mulheres são vítimas directas e indirectas da barbárie. A memória da Guerra da Bósnia convoca-nos inevitavelmente para uma reflexão sobre os nacionalismos, a xenofobia e “os clichés, os lugares-comuns e as maldades” que demasiadas vezes marcam a relação dos indivíduos com “o outro”.
Com tradução, encenação e interpretação de Ana Teresa Santos e Sofia Lobo, figurinos e adereços de Ana Rosa Assunção, desenho de luz de Danilo Pinto e sonoplastia de Zé Diogo, “Do sexo da mulher como campo de batalha na guerra da Bósnia” estreia em Outubro, também no Teatro da Cerca de São Bernardo, depois da temporada de “Palhaço Velho, Precisa-se!”.

Marionet festeja 20 anos com estreia no TCSB

Quinta-feira, Março 5th, 2020

A companhia Marionet celebra 20 anos e uma parte da celebração é feita no Teatro da Cerca de São Bernardo. Entre 12 e 15 de Março, o grupo apresenta “A Revolução dos Corpos Celestes”, com texto e encenação de Mário Montenegro.

Originalmente estreada em 2001, no extinto Museu Nacional da Ciência e da Técnica, “A Revolução dos Corpos Celestes” foi a primeira peça de teatro de tema científico da Marionet, companhia fundada pelo actor e encenador Mário Montenegro. No âmbito das comemorações dos seus 20 anos, o grupo apresenta agora uma remontagem, com as interpretações de Miguel Lança, Filipe Eusébio e Safire ScArlet Hikari.
O espectáculo tem como tema a evolução do conhecimento sobre a nossa posição no universo e é construído a partir dos “avanços científicos de três dos homens responsáveis pelo que hoje conhecemos nesse campo – Ptolomeu, Copérnico e Galileu”. Este trabalho – adianta a Marionet – “interroga-se sobre as questões pessoais, sociais, políticas, religiosas e científicas que inundaram as suas buscas da verdade”. Assumindo que “a busca continua hoje e sempre – O que somos nós? Qual o nosso papel? Onde foi o princípio? E como? Será que estamos sozinhos no universo?” -, a Marionet questiona o próprio lugar do Teatro: “Será esse o nosso papel? O de questionar e partilhar essas perguntas com os outros? O de propagar o perguntar?”.
Com estreia marcada para 12 de Março, a criação da Marionet cumpre uma temporada de 4 sessões no TCSB, até dia 15 – de quinta a sábado às 21h30 e aos domingos às 16h00. Os bilhetes, que custam entre 5 e 10 Euros, já podem ser adquiridos ou reservados pelos contactos habituais do Teatro.
Aos descontos normalmente praticados no TCSB, soma-se o desconto de 40% para profissionais de ciência, tendo em conta o tema do espectáculo e o perfil da Marionet, companhia que tem um trabalho continuado de cruzamento das artes performativas com a ciência. O grupo desenvolve criações artísticas originais a partir de temas científicos, realiza investigação na área da intersecção artes performativas-ciência, promove trabalhos artísticos colaborativos com cientistas, participa em projectos de formação avançada em centros de investigação científica e está envolvido em projectos de ciência participativa. A Escola da Noite acompanha e admira este percurso desde o primeiro momento e tem orgulho em poder associar-se às comemorações do aniversário, acolhendo a quinta estreia do grupo no TCSB, depois de “Zoom” (2009), “BCC” (2011), “A Expressão das Emoções” (2014) e “Ego” (2015).

Coimbra
Teatro da Cerca de São Bernardo

TEATRO
A Revolução dos Corpos Celestes
Marionet
12 a 15 de Março de 2020
quinta a sábado, 21h30
domingo, 16h00

M/12 > 60’

informações e reservas:
239 718 238 / 966 302 488 / geral@aescoladanoite.pt

Fevereiro no TCSB: Ésquilo, Paulo Freire e Clarice Lispector marcam a programação do mês

Segunda-feira, Janeiro 27th, 2020
“O Relatório da Coisa”, a partir de Clarice Lispector, pela Makina de Cena (foto: Daniel Pina)

A leitura de “Os Persas”, de Ésquilo, a apresentação do livro que nos conduz pelos trajectos de Paulo Freire e a estreia em Coimbra do projecto Makina de Cena, com um espectáculo construído a partir de um conto de Clarice Lispector, são os destaques da programação de Fevereiro do Teatro da Cerca de São Bernardo.

OS PERSAS NO CLUBE DE LEITURA TEATRAL

Na temporada 2019-2020, o Clube de Leitura Teatral – iniciativa conjunta do TAGV e d’A Escola da Noite – desenvolve-se a partir de três eixos fundamentais: a dramaturgia portuguesa contemporânea, com sessões dirigidas pelos próprios autores; a dramaturgia brasileira contemporânea; e os grandes textos da história do teatro. A sessão de Fevereiro, que terá lugar no dia 4, às 18h30, no Teatro da Cerca de São Bernardo, inscreve-se nesta terceira linha de reportório. A professora catedrática da Universidade de Coimbra Maria de Fátima Sousa e Silva, uma das mais respeitadas helenistas dos nossos dias, dirige a leitura de “Os Persas”, a mais antiga tragédia que conhecemos, escrita por Ésquilo há 2.500 anos. “Do conjunto de peças que nos chegaram – escreve a professora – [Os Persas] é a única a reflectir acontecimentos históricos, mesmo se numa leitura marcada por um simbolismo mítico. O tema é a guerra, os beligerantes a Pérsia e a Grécia, os motivos aqueles que continuam a ser linhas de fronteira entre distintas geografias e culturas. Passados dois milénios e meio, os conflitos prosseguem os mesmos e o teatro preserva, intacta, a sua eterna magia…”.
Como sempre, a participação como leitor/a é gratuita e está aberta a qualquer pessoa, implicando apenas a presença nas duas sessões preparatórias, que terão lugar na véspera e no próprio dia da leitura pública. As inscrições devem ser feitas através do e-mail do Clube (clube.leitura.teatral@gmail.com). Para assistir à leitura, que tem entrada livre, basta comparecer no Teatro à hora marcada.

O RELATÓRIO DA COISA NOS 100 ANOS DE CLARICE LISPECTOR

Estreado em Loulé em 2019, “O Relatório da Coisa” é uma criação da actriz e encenadora Carolina Santos a partir do conto com o mesmo título escrito por Clarice Lispector e a primeira produção do projecto Makina de Cena, fundado pela artista na cidade algarvia.
O espectáculo transpõe para cena, “num formato intimista” que “cruza a poética do absurdo e do mistério”, o conto da escritora brasileira, publicado em 1974. O texto, adianta a Makina de Cena, “assume novo significado neste mundo que, para além de electrónico, se viciou no virtual e no digital, e onde ‘ser’ já não pertence exclusivamente ao domínio do real e material”. “De acordo com este relatório – acrescenta o grupo na sua nota de intenções –, uma das barreiras a serem vencidas para chegar ao que ‘é’, consiste na desvalorização da palavra, e em anteceder a nomeação. Assim como o relógio não dá conta do significado do tempo, a palavra poderá ser ineficaz na sua capacidade de significar”.
O espectáculo, que conta com a colaboração de Marco Martins e Ana Karina, estará em cena no Teatro da Cerca de São Bernardo nos dias 14 e 15 de Fevereiro (sexta e sábado), sempre às 21h30. Os bilhetes custam entre 6 e 10 Euros e já podem reservados pelos contactos habituais do TCSB.

PAULO RAFAEL NOS CAMINHOS DE PAULO FREIRE

Aproveitando a estadia do autor em Portugal, A Escola da Noite acolhe no Bar/Livraria do TCSB, a 11 de Fevereiro, a apresentação do livro “O garoto Regulus: Freireando a vida”, editado pela Aquarela Brasileira (São Paulo) em Agosto do ano passado.
O texto é uma ficção que percorre, pelos olhos de uma criança, parte da trajectória do pedagogo e filósofo brasileiro Paulo Freire (1921-1997). Nascido pobre e desde cedo órfão de pai, o menino Regulus viaja pela América do Sul, pelos países onde Paulo Freire esteve exilado (Bolívia, Chile), mas também pelo Uruguai e pela Argentina. Ao longo da viagem, vai encontrando parceiros: Ariano (Suassuna), Manoel (de Barros), Eduardo (Galeano), Solano Trindade, entre outros. Os relatos destes encontros e os diálogos interculturais proporcionados pela viagem lembram-nos a actualidade do pensamento de Paulo Freire e convidam-nos a reflectir sobre a conjuntura social e política que marca os nossos dias, na América Latina e noutras zonas do Mundo.
Para além do texto original, o livro agora apresentado inclui o guião da adaptação teatral feita pela actriz Paula Cortezia, xilogravuras de Lonko Valparaiso (chileno de origem Mapuchi), ilustrações de Romildo Ibeji e da criança Luna Manoela, posfácio do poeta e cordelista pernambucano Esio Rafael, prefácio do professor de história Ricardo Yuzo Nakanishi e apresentação de Lutgardes Costa Freire, filho de Paulo Freire.
Educador, historiador e escritor nascido em São Paulo, Brasil, Paulo Rafael é autor dos livros “Almas da liberdade” (em parceria com Romildo Ibeji e Stiãojs), “O Mundo cá tem fronteira: Uma Aventura Brasil – Cabo Verde”, entre outros trabalhos. Trabalhou como educador na Secretaria de Estado da Criança, na Rádio Heliópolis e no Instituto Cabo-Verdiano de Menores, em Cabo Verde. Fez investigação para os documentários ‘Ermelino é Luz’ e ‘Um dia de Samba’, de Pedro Dantas.
A apresentação em Coimbra, com entrada livre e a presença de Paulo Rafael, é uma oportunidade para a troca de impressões e a partilha de experiências entre todas as pessoas que se interessam pelos temas da arte, da educação e das ligações entre elas.

TEATRO DA CERCA DE SÃO BERNARDO
Programação de Fevereiro de 2020

TEATRO | LEITURA
Os Persas, de Ésquilo
dir. Maria de Fátima Sousa e Silva
Clube de Leitura Teatral
4 de Fevereiro de 2020
terça-feira, 18h30
60′ > entrada gratuita
co-organização: TAGV / A Escola da Noite

APRESENTAÇÃO DE LIVRO | CONVERSA
O Garoto Regulus: Freireando a vida
de Paulo Rafael (São Paulo, Brasil)
conversa com o autor mediada por Wagner Merije
11 de Fevereiro de 2020
terça-feira, 18h30
Bar/Livraria do TCSB
entrada gratuita

TEATRO
O Relatório da Coisa
uma criação de Carolina Santos
a partir do texto de Clarice Lispector
Mákina de Cena / MdC Teatro
14 e 15 de Fevereiro de 2020
sexta e sábado, 21h30
M/12 > 45′
preço: 10 € (estudantes, jovens, M/65, profissionais e amadores de teatro: 6 €)

informações e reservas:
239 718 238 / 966 302 488 / geral@aescoladanoite.pt

Curso Livre de Teatro: candidaturas até 20 de Janeiro

Terça-feira, Janeiro 14th, 2020

O prazo para as candidaturas ao Curso Livre de Teatro d’A Escola da Noite foi alargado até 20 de Janeiro. A iniciativa, inédita no percurso da companhia, decorrerá ao longo de 8 meses, em horário pós-laboral, e destina-se a quem quer aprofundar a sua relação com o teatro ou complementar, de forma prática, a sua formação nesta área.

O modelo do Curso assenta na prática teatral e assume o processo de construção do espectáculo como fio condutor, acompanhando a criação de duas produções d’A Escola da Noite: um clássico do teatro português – “O Fidalgo Aprendiz”, de D. Francisco Manuel de Melo (1608-1666), dirigido por António Augusto Barros – e um texto da dramaturgia europeia contemporânea – “(Tio) Vânia”, de Howard Barker (1946), dirigido por Rogério de Carvalho.
Ainda que organizado à volta do processo criativo, do pressuposto do fazer concreto, o curso prevê espaços de reflexão sistemáticos com incidência especial nas teorias do actor; nos processos de trabalho dramatúrgico; na abordagem de autores e obras que marcam a noção de dramaturgia contemporânea.
Coordenado pelo director artístico da companhia, António Augusto Barros, este Curso Livre destina-se a profissionais de outras áreas que tenham vivenciado práticas teatrais diversas – escolares, universitárias, amadoras ou outras – e que querem intensificar a sua relação com o Teatro e a diplomados/as ou estudantes do ensino artístico que pretendem complementar de forma prática a sua formação.
A inscrição custa 750 Euros, podendo ser paga em prestações, a acordar com os/as formandos/as. As candidaturas podem ser feitas até ao dia 20 de Janeiro, através do e-mail geral@aescoladanoite.pt. Solicitamos aos/às candidatos/as que nos enviem uma carta de motivação, o currículo e uma fotografia. A selecção poderá incluir audições e a lista definitiva de participantes deverá ser conhecida até ao final do mês.

“EMBARCAÇÃO DO INFERNO” EM ÉVORA E “O REGRESSO DE AMÍLCAR CABRAL” NO TCSB

Prossegue entretanto a temporada de “Embarcação do Inferno” no Teatro Garcia de Resende, em Évora. A co-produção com o Cendrev, estreada em 2016, é apresentada entre 15 e 17 de Janeiro em quatro sessões para o público escolar. O projecto assinala os 500 anos da primeira apresentação do mais conhecido texto de Gil Vicente e mantém-se há mais de três anos em cena, contando já com mais de 160 apresentações e de 16 mil espectadores.
Em Coimbra, no TCSB, acolhemos no dia 21 de Janeiro, terça-feira, a sessão “Os regressos de Amílcar Cabral?”, organizada pelo Centro de Estudos Sociais (projecto [DE]OTHERING) e pela Organização dos Estudantes da Guiné-Bissau em Coimbra. Com entrada livre, a iniciativa inclui a exibição do documentário “O Regresso de Amílcar Cabral”, realizado por um colectivo de realizadores guineenses em 1976, e um debate com as intervenções de Alexandra Santos (investigadora do CES, Vice-presidente do INMUNE, ativista pelos direitos de pessoas queer, LGBTI+, assistente social e fundadora do queeringstyle), Yussef (militante do Movimento Africano de Trabalhadores e estudantes-RGB e do Colectivo Consciência negra) e Marinho Pina (nascido em Sonaco, verbómano inveterado e contador de histórias em diferentes formatos, investigador do Dinâmia’CET-IUL e bolseiro da FCT). A conversa é facilitada por Sílvia Roque, investigadora do CES com trabalho sobre a Guiné-Bissau e mais recentemente sobre a figura de Amílcar Cabral e os seus múltiplos significados na actualidade.