José António Gomes sobre Augusto Baptista: a “escrita enxuta” e o “fotógrafo poeta”

desenho de Augusto Baptista

Em artigo publicado na revista Forma Breve, da Universidade de Aveiro, o professor e ensaísta José António Gomes destaca várias das singularidades da obra de Augusto Baptista, aqui a propósito do livro “Histórias de coisa nenhuma e outras pequenas significâncias” (Campo das Letras, 2000):

Por estas histórias breves, brevíssimas, de escrita enxuta, passam a vida política, um flash ou outro dos “pantanais” autárquico e empresarial, o mundo citadino e o provinciano, e ainda o veraneante, o editor e o escriba, o pequeno-burguês, o empresário (estes eufemismos!), o proletário e o intelectual de café, as cenas da vida conjugal. Estamos, em suma, ante as inumeráveis situações de um quotidiano assediado (também) pelo que é comum designar – recorrendo a um lugar-comum – como o absurdo da existência, pelo mal de vivre, situações reelaboradas por um olhar de fotógrafo poeta e por um talento de contador de histórias. Vem a vida e diz “presente!”, vem a morte e diz “presente!”; Deus e o Diabo espreitam; o amor e o ódio picam o ponto-nosso-de-cada-dia; faz-se ouvir, nas entrelinhas, o convite à insubmissão e à revolta contra as injustiças.


José António Gomes, “Da escrita e da sua materialização: Augusto Baptista”. Forma Breve, Universidade de Aveiro, 2016.

o homem que estreia esta semana.

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