Para que pode servir a memória: a intervenção de Mário Dionísio no pós-25 de Abril

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A Escola da Noite tem o prazer de acolher, em Junho, a palestra de Eduarda Dionísio sobre o professor, militante político, ensaísta, ficcionista, poeta e pintor Mário Dionísio. Uma iniciativa da Casa da Achada, que conta com o apoio do Centro de Documentação 25 de Abril. A entrada é livre!

Intervir usando sempre a memória terá sido um dos «caprichos» constantes de Mário Dionísio, talvez mais visível depois do 25 de Abril.
«Depois do 25 de Abril, com a euforia geral e a minha em particular (como era bom falar com toda a gente em qualquer parte!, ver que afinal isso é possível!), voltei a dar-me mais, a dar-me todo: ar­tigos, entrevistas, discursos, reuniões, frenéticos trabalhos de organização e mobilização na escola, no Ministério, até na RTP […] Per­tenci até […] à Comissão de Saneamento do Minis­tério da Educação», escreve ele na sua Autobiografia (1987).
Claro que este «capricho» de intervir no presente com a memória dentro é o de alguém para quem a História conta.
Os muitos textos publicados depois do 25 de Abril (alguns narrando histórias esquecidas ou mal contadas, a que nem a política-política nem a cultura-cultura atribuíam grande importância), a presença e intervenção em sessões sobre pessoas às vezes esquecidas (umas mortas, outras homenageadas ainda em vida), a participação em comissões que organizaram homenagens, dão conta disso.
E também a aceitação e demissão de cargos oficiais – de emergência, e não para a vida inteira – e a participação em iniciativas a convite de organizações partidárias e afins, sobretudo entre 1976 e 1978, esse tempo do «regresso aos quartéis».
«O tal vício maior de gostar de brincar com o lume, ou seja, uma actividade permanente em desafio a si próprio e em sentidos diferentes, com a mesma paixão ou teimosia: professor (44 anos!), militante político, que continuou a ser mesmo depois de, por discordâncias de metodologia, se ver ou julgar sozinho, ensaísta de pendor polemizante, ficcionista, poeta – antes e depois de tudo, melhor: em tudo –, pintor, agora a tempo inteiro» – escreve ele em em «Auto-retrato», 1990, poucos anos antes de morrer.

PALESTRA
Para que pode servir a memória:
a intervenção de Mário Dionísio no pós-25 de Abril
por Eduarda Dionísio
17 de Junho de 2017
Sábado, 18h30
entrada livre
org. Casa da Achada – Centro Mário Dionísio

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