Archive for Dezembro, 2017

“Elegía Primera (a Federico García Lorca)”, de Miguel Hernández

Quinta-feira, Dezembro 14th, 2017

Miguel_Hernandez06

ELEGÍA PRIMERA
(A FEDERICO GARCÍA LORCA)

Atraviesa la muerte con herrumbrosas lanzas,
y en traje de cañón, las parameras
donde cultiva el hombre raíces y esperanzas.
y llueve sal, y esparce calaveras.

Verdura de las eras,
¿qué tiempo prevalece la alegría?
El sol pudre la sangre, la cubre de asechanzas
y hace brotar la sombra más sombría.
El dolor y su manto
vienen una vez más a nuestro encuentro.
Y una vez más al callejón del llanto
lluviosamente entro.
Siempre me veo dentro
de esta sombra de acíbar revocada,
amasada con ojos y bordones,
que un candil de agonía tiene puesto a la entrada
y un rabioso collar de corazones.
Llorar dentro de un pozo,
en la misma raíz desconsolada
del agua, del sollozo,
del corazón quisiera:
donde nadie me viera la voz ni la mirada,
ni restos de mis lágrimas me viera.
Entro despacio, se me cae la frente
despacio, el corazón se me desgarra
despacio, y despaciosa y negramente
vuelvo a llorar al pie de una guitarra.
Entre todos los muertos de elegía,
sin olvidar el eco de ninguno.
por haber resonado más en el alma mía,
la mano de mi llanto escoge uno.
Federico García
hasta ayer se llamó: polvo se llama.

Ayer tuvo un espacio bajo el día
que hoy el hoyo le da bajo la grama.
Tanto fue! ¡Tanto fuiste y ya no eres!
Tu agitada alegría
que agitaba columnas y alfileres,
de tus dientes arrancas y sacudes,
y ya te pones triste, y sólo quieres
ya al paraíso de los ataúdes.

Vestido de esqueleto,
durmiéndote de plomo,
de indiferencia armado y de respeto,
te veo entre tus cejas si me asomo.
Se ha llevado tu vida de palomo,
que ceñía de espuma
y de arrullos el cielo y las ventanas,
como raudal de pluma
el viento que se lleva las semanas.
Primo de las manzanas,
no podrá con tu savia la carcoma,
no podrá con tu muerte la lengua del gusano,
y para dar salud fiera a su poma
elegirá tus huesos el manzano.
Cegado el manantial de tu saliva,
hijo de la paloma,
nieto del ruiseñor y de la oliva:
serás, mientras la tierra vaya y vuelva.
esposo siempre de la siempreviva,
estiércol padre de la madreselva.
¡Qué sencilla es la muerte: qué sencilla,
pero qué injustamente arrebatada!
No sabe andar despacio, y acuchilla
cuando menos se espera su turbia cuchillada.
Tú, el más firme edificio, destruido,
tú, el gavilán más alto, desplomado,
tú, el más grande rugido
callado, y más callado, y más callado.

Caiga tu alegre sangre de granado
como un derrumbamiento de martillos feroces,
sobre quien te detuvo mortalmente.
Salivazos y hoces
caigan sobre la mancha de su frente
Muere un poeta y la creación se siente
herida y moribunda en las entrañas.
Un cósmico temblor de escalofríos
mueve temiblemente las montañas,
un resplandor de muerte la matriz de los ríos
Oigo pueblos de ayes y valles de lamentos,
veo un bosque de ojos nunca enjutos,
avenidas de lágrimas y mantos
y en torbellinos de hojas y de vientos
lutos tras otros lutos y otros lutos,
llantos tras otros llantos y otros llantos.
No aventarán, no arrastrarán tus huesos,
volcán de arrope, trueno) de panales,
poeta entretejido, dulce, amargo,
que al calor de los besos
sentiste, entre dos largas hileras de puñales,
largo amor, muerte larga, fuego largo.

Por hacer a tu muerte compañía,
vienen poblando todos los rincones
del cielo y de la tierra bandadas de armonía,
relámpagos de azules vibraciones.
Crótalos granizados a montones,
batallones de flautas, panderos y gitanos,
ráfagas de abejorros y violines,
tormentas de guitarras y pianos,
irrupciones de trompas y clarines.
Pero el silencio puede más que tanto instrumento.
Silencioso desierto, polvoriento
en la muerte desierta,
parece que tu lengua, que tu aliento,
los ha cerrado el golpe de una puerta.
Como si paseara con tu sombra,
paseo con la mía
por una tierra que el silencio alfombra,
que el ciprés apetece más sombría.
Rodea mi garganta tu agonía
como un hierro de horca
y pruebo una bebida funeraria.
Tú sabes, Federico García Lorca,
que soy de los que gozan una muerte diaria.

Miguel Hernández

Entre 10 e 14 de Dezembro de 2017, A Escola da Noite publica um poema de Miguel Hernández por dia, antecipando a chegada a Coimbra do espectáculo “Un encuentro con Miguel Hernández”, do Teatro Guirigai.

Convidamos as/os espectadoras/es a fazerem o mesmo nas redes sociais, juntando-se à homenagem que o espectáculo presta ao grande escritor espanhol, no ano em que se assinalam os 75 anos da sua morte. Podem usar a hashtag #UnEncuentroConMiguelHernandezEmCoimbra.

Faça-nos companhia!

TEATRO
Un Encuentro con Miguel Hernández
Teatro Guirigai (Espanha)
14 de Dezembro de 2017
Quinta-feira, 21h30
M/14 > 70′
Espectáculo falado em Castelhano
evento FB

Hoje no TCSB: “Un encuentro con Miguel Hernández”

Quinta-feira, Dezembro 14th, 2017

Quarenta poemas, um intenso trabalho de actores, um espaço cénico aberto, uma dramaturgia simples e inteligente, um jogo teatral rico em imagens e símbolos e sedento de proximidade e de cumplicidade, uma cenografia plástica, sóbria e carregada de significados, uma boa iluminação e os figurinos e espaço sonoro acertados dão forma a uma proposta que nos aproxima do poeta, da sua palavra e dos momentos mais significativos da sua vida.
Há momentos bonitos, intensos (“Rosa dinamitera”, “La canción del esposo soldado” ou “El tren de los heridos”…), há poemas desenhados pelos corpos e pelas vozes, há um universo dramático e há, sobretudo, muita vida.”
Joaquín Melguizo, Heraldo de Aragón

“Teatro da emoção, dos sentidos e da inteligência com que Agustín Iglesias dirigiu este espectáculo.”
Lucio Poves, Hoy, Culturas y Sociedad

cartaz guirigai 2

Chegou o dia! O Teatro Guirigai (Extremadura, Espanha) apresenta esta noite em Coimbra “Un encuentro con Miguel Hernández”, a sua homenagem ao grande poeta espanhol.

É quinta-feira e os bilhetes têm o preço único de 5 Euros. Faça-nos companhia!

TEATRO
Un Encuentro con Miguel Hernández
Teatro Guirigai (Espanha)
14 de Dezembro de 2017
Quinta-feira, 21h30
M/14 > 70′
Espectáculo falado em Castelhano
evento FB

Embarcação do Inferno no Porto: “discreta invenção” abre ano teatral do Teatro Nacional São João

Quarta-feira, Dezembro 13th, 2017

“Embarcação do Inferno”, a co-produção com que A Escola da Noite e o Cendrev assinalam os 500 anos do mais conhecido texto de Gil Vicente, é a primeira proposta teatral para 2018 do Teatro Nacional São João (TNSJ), no Porto, cuja programação trimestral foi anunciada hoje em conferência de imprensa. A temporada inclui espectáculos para o público em geral e para o público escolar, uma oficina para professores e uma entrevista ao vivo com José Bernardes e terá lugar no Teatro Carlos Alberto, entre 15 e 21 de Janeiro de 2018.

Francisca Carneiro, Nuno Carinhas e António Augusto Barros

Francisca Carneiro Fernandes, Nuno Carinhas e António Augusto Barros

Na conferência de imprensa realizada esta quarta-feira no Salão Nobre do TNSJ, que contou com a presença do Secretário de Estado da Cultura, Nuno Carinhas, director artístico do Teatro Nacional, referiu o “gosto especial” que tem em acolher este projecto e estas companhias, salientando a longevidade da carreira do espectáculo, que conta já com mais de 100 apresentações. Para além das sete apresentações previstas (17 a 21 de Janeiro), o programa da temporada no Porto inclui uma oficina para professores (sábado, 20 de Janeiro) e abre com uma entrevista ao respeitado vicentista José Augusto Cardoso Bernardes, conduzida por Pedro Sobrado (segunda-feira, 21h00).
António Augusto Barros, director artístico d’A Escola da Noite e co-encenador do espectáculo, manifestou a sua satisfação pelo facto de o espectáculo poder ser visto no Porto, no âmbito da digressão nacional iniciada há um ano. Lembrou alguns dos pontos de partida do processo de criação artística, como a homenagem à manifestação artística tradicional dos Bonecos de Santo Aleixo (também relacionada com a impossibilidade de qualquer uma destas companhias poder actualmente assegurar o elenco exigido por uma peça como a “Barca do Inferno”) e a “necessidade de reavaliarmos, nos dias de hoje, o legado de Gil Vicente”. Sobre este último aspecto, destacou as “fontes renascentistas” que inspiram a obra de Vicente e “a questão judaica”, que considera “insuficientemente explorada” nos estudos vicentinos.
Citando a expressão que Garcia de Resende utilizou para qualificar o trabalho de Gil Vicente, referiu-se ao espectáculo como uma “discreta invenção”, “no sentido que no século XVI esta palavra também tinha e que entretanto se perdeu: o de inteligente”. “Assim tentámos que fosse – verão, agora no Porto, se conseguimos ou não”, concluiu António Augusto Barros.

ConfImprensaTNSJ01

Um projecto amplo, a percorrer o país
Co-produzida por duas das companhias portuguesas que mais aprofundadamente têm trabalhado o património vicentino, “Embarcação do Inferno” estreou em Outubro de 2016 em Évora, no Teatro Garcia de Resende. Desde então, o espectáculo foi apresentado em mais de 100 récitas, às quais assistiram perto de 10 mil espectadores, entre os quais largas centenas de alunos e professores do ensino secundário. Para além das duas cidades das companhias – Évora e Coimbra –, o projecto passou já por outras oito localidades portuguesas, de sete distritos diferentes: Campo Benfeito (Viseu), Bragança, Aveiro, Viana do Castelo, Caldas da Rainha (Leiria), Barreiro (Setúbal), Figueira da Foz (Coimbra) e Castelo Branco. Entre o conjunto das actividades propostas pelos grupos para assinalar os 500 anos da primeira apresentação e publicação do “Auto da Barca do Inferno” (2016-2018) estão, a par dos espectáculos, oficinas para professores e o ciclo de conferências “Gil Vicente no seu tempo e no nosso tempo”, coordenado por José Augusto Cardoso Bernardes, professor e investigador na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e consultor científico do projecto.
O espectáculo é co-encenado pelos directores artísticos das duas companhias – António Augusto Barros e José Russo – e conta com um elenco misto: Ana Meira, Jorge Baião, José Russo, Rosário Gonzaga e Rui Nuno (Cendrev) e de Igor Lebreaud, Maria João Robalo e Miguel Magalhães (A Escola da Noite). A equipa inclui ainda Ana Rosa Assunção (figurinos e bonecos), João Mendes Ribeiro e Luisa Bebiano (cenografia), António Rebocho (iluminação) e Luís Pedro Madeira (música).
Ao longo de 2018 e até Janeiro de 2020, o projecto continuará “na estrada” e regressará anualmente ao Teatro Garcia de Resende e ao Teatro da Cerca de São Bernardo, em Évora e em Coimbra, onde Cendrev e A Escola da Noite, respectivamente, são companhias residentes. No âmbito da digressão nacional do próximo ano estão já confirmadas, para além do Porto, as passagens por Leiria (ainda em Janeiro) e por Braga (em Novembro).
A Escola da Noite e o Cendrev apresentaram recentemente as suas candidaturas ao Programa de Apoios Sustentados – Quadrienais da DGArtes, incluindo nos respectivos planos de actividades a continuidade e o aprofundamento deste projecto emblemático no percurso das duas estruturas.

TEATRO
“Embarcação do Inferno”, de Gil Vicente
co-produção A Escola da Noite / Cendrev

Porto, Teatro Carlos Alberto

17 a 21 de Janeiro de 2018
quarta a sexta-feira, 21h00
sábado, 19h00
domingo, 16h99
M/12 > 60’ > 10,00 €
sessões para o público escolar:
18 e 19 de Janeiro de 2018
quinta e sexta-feira, 15h00

Conferência/Entrevista com José Bernardes
15 de Janeiro de 2018
segunda-feira, 21h00
entrada gratuita

Oficina para professores
20 de Janeiro de 2018
11h00 – 13h00 / 14h30 – 17h30

informações e reservas:
223 401 951 / relacoespublicas@tnsj.pt

“Las Manos”, de Miguel Hernández

Quarta-feira, Dezembro 13th, 2017

Miguel_Hernandez05

Dos especies de manos se enfrentan en la vida,
brotan del corazón, irrumpen por los brazos,
saltan, y desembocan sobre la luz herida
a golpes, a zarpazos.

La mano es la herramienta del alma, su mensaje,
y el cuerpo tiene en ella su rama combatiente.
Alzad, moved las manos en un gran oleaje,
hombres de mi simiente.

Ante la aurora veo surgir las manos puras
de los trabajadores terrestres y marinos,
como una primavera de alegres dentaduras,
de dedos matutinos.

Endurecidamente pobladas de sudores,
retumbantes las venas desde las uñas rotas,
constelan los espacios de andamios y clamores,
relámpagos y gotas.

Conducen herrerías, azadas y telares,
muerden metales, montes, raptan hachas, encinas,
y construyen, si quieren, hasta en los mismos mares
fábricas, pueblos, minas.

Estas sonoras manos oscuras y lucientes
las reviste una piel de invencible corteza,
y son inagotables y generosas fuentes
de vida y de riqueza.

Como si con los astros el polvo peleara,
como si los planetas lucharan con gusanos,
la especie de las manos trabajadora y clara
lucha con otras manos.

Feroces y reunidas en un bando sangriento
avanzan al hundirse los cielos vespertinos
unas manos de hueso lívido y avariento,
paisaje de asesinos.

No han sonado: no cantan. Sus dedos vagan roncos,
mudamente aletean, se ciernen, se propagan.
Ni tejieron la pana, ni mecieron los troncos,
y blandas de ocio vagan.

Empuñan crucifijos y acaparan tesoros
que a nadie corresponden sino a quien los labora,
y sus mudos crepúsculos absorben los sonoros
caudales de la aurora.

Orgullo de puñales, arma de bombardeos
con un cáliz, un crimen y un muerto en cada uña:
ejecutoras pálidas de los negros deseos
que la avaricia empuña.

¿Quién lavará estas manos fangosas que se extienden
al agua y la deshonran, enrojecen y estragan?
Nadie lavará manos que en el puñal se encienden
y en el amor se apagan.

Las laboriosas manos de los trabajadores
caerán sobre vosotras con dientes y cuchillas.
Y las verán cortadas tantos explotadores
en sus mismas rodillas.

Miguel Hernandez

Entre 10 e 14 de Dezembro de 2017, A Escola da Noite publica um poema de Miguel Hernández por dia, antecipando a chegada a Coimbra do espectáculo “Un encuentro con Miguel Hernández”, do Teatro Guirigai.

Convidamos as/os espectadoras/es a fazerem o mesmo nas redes sociais, juntando-se à homenagem que o espectáculo presta ao grande escritor espanhol, no ano em que se assinalam os 75 anos da sua morte. Podem usar a hashtag #UnEncuentroConMiguelHernandezEmCoimbra.

Faça-nos companhia!

TEATRO
Un Encuentro con Miguel Hernández
Teatro Guirigai (Espanha)
14 de Dezembro de 2017
Quinta-feira, 21h30
M/14 > 70′
Espectáculo falado em Castelhano
evento FB

Neruda sobre o “Poeta do Povo”: “Recordar Miguel Hernández é um dever de amor”

Terça-feira, Dezembro 12th, 2017

Miguel_Hernandez04
Miguel Hernández, a quem chamaram o “poeta do povo”, morreu há 75 anos, numa prisão do Franquismo.
Sobre ele escreveu Pablo Neruda: “Miguel era tão camponês que trazia à sua volta uma aura de terra. Tinha uma cara de torrão ou de batata que se tira de entre as raízes e conserva a sua frescura subterrânea. (…) Recordar Miguel Hernández, que desapareceu na obscuridade – recordá-lo em plena luz –, é um dever de Espanha, um dever de amor”.

TEATRO
Un Encuentro con Miguel Hernández
Teatro Guirigai (Espanha)
14 de Dezembro de 2017
Quinta-feira, 21h30
M/14 > 70′
Espectáculo falado em Castelhano
evento FB