Arquivo da Categoria ‘Imprensa’

Estreia Hoje no TCSB

Quarta-feira, 21 de Julho, 2010

No âmbito da programação do II Festival das Artes, estreia hoje no TCSB às 21:30 o Auto da Barca do Inferno pelo Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC), com encenação de Ricardo Correia.

O espectáculo de hoje encontra-se esgotado e continuará em cena nos dias 22,  23 e 24 de Julho. O preço dos bilhetes varia entre 6 e 10 euros, a reserva de lugar pode ser efectuada através do telefone 239718238 ou telemóvel 966302488.

“Entre uma barca infernal e outra Gloriosa, entre um diabo e um anjo, entre a avareza de um Onzeneiro e a nobreza de um fidalgo, entre a inocência de um Parvo e a perícia de um Frade, entre a vaidade de uma Alcoviteira e a descrença de um Judeu, entre a corrupção de um corregedor e os subornos de um procurador, entre a ingenuidade de um enforcado e a altivez de quatro Cavaleiros, resta saber quem somos e em que barca cabemos.”

TEUC

in Diário de Coimbra

Ficha Técnica
texto Gil Vicente versão de José Camões encenação Ricardo Correia elenco Íris FerrerMaria PinelaMariana FerreiraNádia IracemaRafaela BidarraSusana Rocha cenografia Bruno GonçalvesEduardo ConceiçãoCarolina Santos figurinos Carolina Santos desenho de luz Jonathan Azevedo sonoplastia João GilSérgio Costa fotografia TEUC 2010 cabeleireiro Carlos Gago costureira Fernanda Tomás produção executiva TEUC 2010

estreia amanhã!

Terça-feira, 20 de Julho, 2010

Artigo de Lídia Pereira no Diário as Beiras, referente à estreia do Auto da Barca do Inferno pelo TEUC, amanhã no TCSB.

O preço dos bilhetes varia entre 6 e 10 euros, a reserva de lugar pode ser efectuada através do telefone 239718238 ou telemóvel 966302488.

“3.Fonseca” crítica

Quarta-feira, 14 de Julho, 2010

“Compreende-se o fascínio por esse autor brasileiro não dramaturgo, mas cujos textos se prestam à dramatização, e que resultou em três espectáculos autónomos (…). No dia em que estive, pude ver o terceiro (3Fonseca): trata-se de onze textos, ou em alguns casos de mini textos confessionais, transformados numa zona que sonda descendo à vida humana na sua curta mas dramática imagem. Uma série de flashes para os inferninhos, alguns tipicamente brasileiros, curiosamente, como que bem-dispostos e sobretudo apanhados no próprio momento da queda, pelos intérpretes das duas Companhias (…). Quem encenou com eficácia e saber, mas sobretudo dirigiu primorosamente os actores, foi o director da Escola da Noite, António Augusto Barros. A qualidade maior foi a de saber harmonizar actores de duas Companhias, a tal ponto que não reconhecemos as pertenças de origem. De realçar igualmente o guarda-roupa, expressivo e rigoroso a sinalar o deslizamento para uma sub-humanidade incurável. Um dispositivo cénico minimal, bem iluminado, feito de objectos que prolongam as personagens, num palco novo, de um teatro construído de raíz, o Teatro da Cerca de São Bernardo, espaço feliz e bem organizado.”

Excerto da crítica de Helena Simões, publicada hoje no Jornal de Letras, referente ao espectáculo 3Fonseca da trilogia 1José 2Rubem 3Fonseca, co-produção d’A Escola da Noite e Companhia de Teatro de Braga.

amanhã no TCSB

Terça-feira, 15 de Junho, 2010

Nesta nova criação, Vera Mantero mostra-nos objectos do mundo. Coisas arrancadas à vida de todos os dias que, nesta dança, se situam algures entre o material e o etéreo, o factual e o onírico. Dia 16 de Junho, no Teatro da Cerca de São Bernardo (Coimbra).
Um ano depois da sua estreia em Essen e Montpellier, em 2009, Vera Mantero & Guests apresentam finalmente este trabalho em Portugal. “Vamos sentir falta de tudo aquilo de que não precisamos” é um jogo de associações, por vezes explícito, outras críptico, lúdico ou desconfortável, tangível ou volátil. Desencadeia várias questões, mas quase nenhuma resposta.

Vera Mantero destilou esta parada inusitada após meses de leituras, visionamentos, escutas, reflexões e conversas, em conjunto com Christophe Ives, Marcela Levi, Miguel Pereira, Rita Natálio, Nadia Lauro e Andrea Parkins, com quem partilha a autoria e interpretação deste espectáculo.

in Público

sobre Rubem Fonseca

Terça-feira, 20 de Abril, 2010

Contista, romancista, ensaísta, roteirista e “cineasta frustrado”,Rubem Fonseca precisou publicar apenas dois ou três livros para ser consagrado como um dos originais prosadores brasileiros contemporâneos. Com suas narrativas velozes e sofisticadamente cosmopolitas, cheias de violência, erotismo, irreverência e construídas em estilo contido, elíptico, cinematográfico, reinventou entre nós uma literatura noir ao mesmo tempo clássica e pop, brutalista e sutil — a forma perfeita para quem escreve sobre “pessoas empilhadas na cidade enquanto os tecnocratas afiam o arame farpado”.

Carioca desde os oito anos, Rubem Fonseca nasceu em Juiz de Fora, em 11 de maio de 1925. Leitor precoce porém atípico, não descobriu a literatura (ou apenas o prazer de ler) no Sítio do Pica-Pau Amarelo, como é ou era de praxe entre nós, mas devorando autores de romances de aventura e policiais de variada categoria: de Rafael Sabatini a Edgar Allan Poe, passando por Emilio Salgari, Michel Zevaco, Ponson du Terrail, Karl May, Julio Verne e Edgard Wallace. Era ainda adolescente quando se aproximou dos primeiros clássicos (Homero, Virgílio, Dante, Shakespeare, Cervantes) e dos primeiros modernos (Dostoiévski, Maupassant, Proust). Nunca deixou de ser um leitor voraz e ecumênico, sobretudo da literatura americana, sua mais visível influência.

Por pouco não fez de tudo na vida. Foi office boy, escriturário, nadador, ajudante de mágico, revisor de jornal, comissário de polícia — até que se formou em direito, virou professor da Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e, por fim, executivo da Light do Rio de Janeiro.  Escritor publicamente exposto, só no início dos anos 1960, quando as revistas O Cruzeiro e Senhor publicaram dois contos de sua autoria.

Em 1963, a primeira coletânea de contos, Os prisioneiros, foi imediatamente reconhecida pela crítica como a obra mais criativa da literatura brasileira em muitos anos; seguida, dois anos depois, de outra, A coleira do cão, a prova definitiva de que a ficção urbana encontrara seu mais audacioso e incisivo cronista. Com a terceira coletânea, Lúcia McCartney, tornou- -se um best-seller e ganhou o maior prêmio para narrativas curtas do país.

Já era considerado o maior contista brasileiro quando, em 1973, publicou seu primeiro romance, O caso Morel, um dos mais vendidos daquele ano, depois traduzido para o francês e acolhido com entusiasmo pela crítica europeia. Sua carreira internacional estava apenas começando. Em 2003, ganhou o Prêmio Juan Rulfo e o Prêmio Camões, o mais importante da língua portuguesa. Com várias de suas histórias adaptadas ao cinema, ao teatro e à televisão, Rubem Fonseca já publicou 11 coletâneas de contos, sete romances e três novelas.

“O autor” in Rubem Fonseca, O Seminarista, Rio de Janeiro, Agir Editora, 2009