Archive for the ‘política cultural’ Category

sobre o “Novo Modelo de Apoio às Artes”

Terça-feira, Julho 18th, 2017

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REVISÃO DO MODELO DE APOIO ÀS ARTES
Contributo d’A Escola da Noite – Grupo de Teatro de Coimbra

 

Respondendo ao desafio lançado pela Direcção-Geral das Artes, A Escola da Noite entende dizer o seguinte em relação ao que foi tornado público sobre a proposta de novo modelo de apoio às artes apresentada pelo Governo:

I. O MOMENTO, O CONTEXTO E A INFORMAÇÃO DISPONIBILIZADA
Lamentamos que as primeiras indicações sobre a proposta tenham surgido apenas agora, a meio do mandato do actual Governo e já no segundo semestre de 2017, altura em que, de acordo com a legislação em vigor, deveriam estar a ser abertos os concursos para o biénio e quadriénio seguintes.

A demora na apresentação desta proposta e na abertura desta discussão torna-se ainda mais grave tendo em conta os efeitos devastadores dos cortes no financiamento público às artes sofridos a partir de 2011, prolongados até 2017.

É para nós incompreensível que, ao abrir esta discussão pública, o Governo não dê qualquer sinal, para além do que são os desejos do Secretário de Estado da Cultura, sobre o orçamento que vai ser consignado aos apoios às artes. É preocupante do ponto de vista do futuro da actividade que as estruturas financiadas vão poder desenvolver e torna pouco credível a indicação de que os primeiros concursos ao abrigo deste novo modelo abrirão “na segunda quinzena de Setembro”, isto é, daqui a dois meses.

Essa lacuna reduz de forma drástica a utilidade e a eficácia da discussão pública. Com os actuais níveis de financiamento, não há modelo que resista e que permita cumprir os objectivos de serviço público a que é suposto ele dar resposta. Os comentários que fazemos a seguir ao conteúdo da proposta apresentada pelo Governo baseiam-se no pressuposto (para nós o único minimamente aceitável) de que em 2018 o somatório dos apoios às artes a que se refere o novo modelo recupera os níveis de investimento público concretizados em 2009 e 2010, acrescidos da verba necessária para cobrir a inclusão das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira e – desejavelmente – para cobrir a inflação ao longo destes anos de absoluto sufoco.

Duvidamos, ainda, da utilidade de fazer esta discussão em duas fases: agora, à pressa e com um prazo curto, sobre a proposta do “Decreto-Lei” (sem que formalmente tenhamos acesso à versão integral do documento) e daqui a alguns dias sobre os Regulamentos, nos quais serão definidas questões essenciais para que possamos ter uma visão global da proposta do Governo. Registamos, com perplexidade, o facto de não ter sido publicada a proposta de Decreto-Lei, ao contrário do que foi publicamente anunciado pelo Secretário de Estado da Cultura. Não compreendemos a razão pela qual isto acontece e consideramos que se trata de uma falha grave, que compromete de forma muito séria o alcance e a validade da “discussão pública” que foi anunciada.

II. SOBRE A PROPOSTA

1. Há certamente um lapso na descrição do que deve constar da “declaração anual” a publicar em Novembro. No documento publicado na página da DGArtes diz-se que ela deve definir “os programas de apoio a abrir para o ano em curso e respetivo prazo limite de abertura”, quando – presume-se – ela deverá definir os concursos a abrir para o ano seguinte. Mas mesmo que assim seja (não poderia ser de outra forma…), isto significa um retrocesso em relação à actual legislação, que estabelece que os concursos devem abrir no semestre anterior ao período a que dizem respeito. Não compreendemos e consideramos grave, porque isso afecta de forma muito séria o desenvolvimento de projectos plurianuais e a estabilidade das estruturas que supostamente o Governo quer salvaguardar. Não nos tranquiliza o facto de o Governo garantir que, em Setembro de 2017, abrirão os concursos para o biénio e o quadriénio seguintes. Isso não está previsto no Decreto-Lei e deverá estar, se essa for realmente a intenção do Governo.

2. Não concordamos com os termos que distinguem, em termos conceptuais, os apoios sustentados dos apoios a projetos. Se é verdade e faz sentido que os apoios sustentados se destinam preferencialmente a promover “a estabilidade e consolidação de entidades com atividade continuada”, é enganador afirmar que o apoio a projectos serve para “estimular a inovação e diversidade artísticas”. Aceitar isto significa aceitar o preconceito de que as estruturas com actividade continuada não contribuem para a inovação e para a diversidade nas artes, algo com que, naturalmente, nós não concordamos. O único critério aceitável para aferir a admissibilidade das candidaturas às diferentes modalidades deverá ser a natureza das entidades candidatas – têm (ou pretendem ter) actividade continuada ou não têm (nem pretendem ter).

3. Preocupa-nos o esvaziamento da definição de serviço público, quando comparamos a definição dos “fins e objectivos” enunciada no documento colocado em discussão com o artigo terceiro do Decreto-Lei ainda em vigor. Desaparecem deste ponto expressões de grande significado político como “assegurar o acesso público às diversas artes”, “descentralização da oferta cultural”, “promover pesquisa e experimentação” e “consolidar estruturas e actividades profissionais”. A importância ultrapassa a questão formal. O debate em torno do financiamento do Estado às artes está sob forte pressão político-ideológica e os documentos legais que regem este financiamento devem deixar bem explícitos os princípios que o fundamentam e que definem o serviço público a que se refere. Num cenário de ataque governamental aos direitos de fruidores e criadores culturais como aquele a que se assistiu nos últimos anos, estes princípios são, a par da Constituição da República, instrumentos valiosíssimos para evitar males (ainda) maiores. Este ponto deve ser densificado com as razões que justificam o financiamento público à criação artística.

4. Tal como está definido, o Plano Estratégico Anual atribui em exclusividade ao “membro do Governo responsável pela área da Cultura” a possibilidade de determinar por despacho as “linhas estratégicas de apoio às artes”. Registámos as afirmações públicas do Secretário de Estado, feitas na passada semana, garantindo que este Plano seria discutido e participado. Mas o projecto de Decreto-Lei não o prevê e deverá fazê-lo, caso seja realmente essa a intenção do Governo. Deverá prever formas de atenuar a discricionariedade absoluta para a qual aponta a actual formulação. Assinalamos, ainda, a contradição de este “plano estratégico”, sobre o qual nada se sabe, começar a ser discutido e elaborado depois de abertos os concursos para aqueles que, nas palavras do próprio Secretário de Estado, continuarão a ser “os pilares” dos apoios da DGArtes – os apoios sustentados. E deixamos registada a nossa preocupação em relação à possibilidade de estas “linhas estratégicas” configurarem instrumentalizações da criação artística, à semelhança do que já acontece (numa escala muito mais reduzida e, por isso, um pouco mais aceitável) com as “prioridades estratégicas” adoptadas nos mais recentes concursos de apoios pontuais, abertos ainda ao abrigo da actual legislação. A criação artística e o direito à sua fruição pela generalidade dos cidadãos é um bem em si mesmo, que não pode nem deve estar condicionada por questões como a protecção social, as dinâmicas turísticas ou os interesses conjunturais em matéria de relações económicas.
Conjugado com o enfraquecimento da definição de “serviço público” a que atrás nos referimos, o peso deste “plano estratégico” plurianual pode introduzir distorções gravíssimas no entendimento da relevância social da criação artística e do lugar que esta deve ter na vida das pessoas e da comunidade. A manter-se como elemento central do novo modelo (embora inevitavelmente desfasado no tempo), devem ficar explícitas as formas de participação dos agentes culturais na discussão e na concretização deste plano.

5. Não é claro o peso que a nova modalidade de apoio – parcerias – vai ter no conjunto dos apoios. A definição apresentada até ao momento é demasiado ambígua e genérica, não sendo claros os objectivos a que procura dar resposta. No caso das parcerias com entidades privadas, existe o risco de entidades com grande poder económico pressionarem o Estado para a prossecução dos seus próprios interesses, podendo assim prejudicar o interesse público. No caso das parcerias com entidades locais, não sabemos o que entende o Governo por “territórios com oferta cultural reduzida ou inexistente” e é portanto impossível perspectivar o impacto que esta nova medida vai ou pode ter para o desenvolvimento cultural do país. Tal como estão definidos, estes novos apoios aumentam imenso a arbitrariedade do financiamento público, o que se torna ainda mais visível pelo facto de poderem ser atribuídos sem concurso. Tal como estão definidos, estes apoios só serão aceitáveis, por isso, se houver garantias de que funcionam apenas como apoios complementares em relação aos restantes, atribuídos em resultado de concursos nacionais.

6. No caso específico dos “apoios sustentados”, e para que sejam credíveis, justifica-se uma melhor definição das entidades elegíveis (propomos que se defina um “núcleo profissional mínimo”, relativo ao número de pessoas contratadas a tempo inteiro pela estrutura) e que se defina um financiamento mínimo, para evitar “apoios sustentados” com verbas de 50 mil Euros/ano (ou ainda menos), como sucede actualmente.

A Escola da Noite

Coimbra, 17 de Julho de 2017

“Votar é mais do que um direito”

Domingo, Outubro 4th, 2015

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Em dia de Eleições Legislativas, A Escola da Noite subscreve a mensagem da Comissão Nacional de Eleições e interrompe a temporada de “A Canoa”. É um dia muito importante!

O espectáculo retoma já na próxima quinta-feira e mantém-se em cena até 18 de Outubro, de quinta a domingo.

Faça-nos companhia!

A Escola da Noite limpou acesso à Cerca de São Bernardo

Terça-feira, Setembro 22nd, 2015

Os elementos d’A Escola da Noite limparam hoje de manhã o túnel que liga o Pátio da Inquisição à Cerca de São Bernardo.

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A passagem atravessa o edifício do Antigo Colégio das Artes e é o principal acesso ao Teatro da Cerca de São Bernardo. Foi aberta há cerca de 10 anos, no âmbito da requalificação desta zona do Centro Histórico da Cidade, e consiste numa passadeira metálica com vista para um conjunto de ruínas históricas, que na altura foram colocadas a descoberto.

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Constatando a acumulação de lixo de diversa natureza que se acumulava junto às ruínas (também notada pelos espectadores que visitam o Teatro e pelos turistas que passeiam pelo Pátio da Inquisição), os trabalhadores d’A Escola da Noite decidiram realizar a limpeza pelas suas próprias mãos. A iniciativa incluiu igualmente a limpeza do pequeno pátio adjacente à actual sede da Associação de Folclore e Etnografia do Mondego (AFERM), junto ao Teatro, onde também se acumulavam lixo e ervas.

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O objectivo desta intervenção d’A Escola da Noite, que tem neste momento em cena, no TCSB, a sua mais recente produção, foi dignificar o acesso dos espectadores a um dos principais equipamentos culturais municipais da cidade e tornar mais agradável o trânsito pedonal nesta zona da cidade, classificada como Património Mundial pela Unesco.

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Dezembro no TCSB: o ano ainda não acabou!

Segunda-feira, Dezembro 2nd, 2013

Teatro, documentários e debates marcam a programação de Dezembro do TCSB, que inclui o regresso a Coimbra, há muito esperado pelo público da cidade, do espectáculo “Novas diretrizes em tempos de paz”, de Bosco Brasil. Merecem ainda destaque o espectáculo da Companhia de Teatro de Braga – “Conversa com o Homem Roupeiro” – e as diversas colaborações com instituições da cidade, como o Núcleo de Coimbra do Manifesto em Defesa da Cultura, o Centro de Estudos Sociais, a UMAR e a Filarmónica União Taveirense.

Igor Lebreaud, "Novas diretrizes em tempos de paz" (foto de ensaio de Eduardo Pinto)

Igor Lebreaud, “Novas diretrizes em tempos de paz” (foto de ensaio de Eduardo Pinto)

“Novas diretrizes em tempos de paz”, a comovente peça de Bosco Brasil que A Escola da Noite estreou no final de Janeiro e cumpriu ao longo do ano uma intensa digressão nacional e internacional, volta ao TCSB no dia 6 de Dezembro, para já numa única sessão especial, no âmbito do evento “Cultura ao Centro – apresentação de resultados Mais Centro 2013”, organizado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro (CCDRC). O TCSB foi uma das entidades beneficiárias deste quadro comunitário de apoio, com o projecto CULTURBE – a rede de programação que construiu com o Teatro Garcia de Resende, de Évora, e o Theatro Circo de Braga e que permitiu a apresentação em Coimbra de dezenas de espectáculos e vários workshops entre 2010 e 2013. A CCDRC escolheu-o para palco da sessão anual de apresentação de resultados do programa operacional Mais Centro, que inclui intervenções dos responsáveis envolvidos, a entrega de prémios aos promotores que se destacaram e a apresentação de espectáculos ou apontamentos artísticos por parte de alguns dos agentes culturais da Região que dinamizaram acções financiadas. Para além d’A Escola da Noite, participarão na iniciativa, que decorre ao longo da tarde e da noite dessa sexta-feira, o Teatro Viriato, o Teatro Cine de Torres Vedras, o Teatro Virgínia de Torres Novas, a ACERT, de Tondela, e a Empresa Municipal de Cultura de Seia.

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Homenagem a Chico Mendes
Dezembro fica também assinalado por uma nova parceria com o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES). Desta vez, o TCSB acolhe a primeira parte de uma mostra cinematográfica de homenagem ao activista brasileiro Chico Mendes, assassinado no Acre (Brasil) há precisamente 25 anos. O programa completo da iniciativa estende-se ao longo de dois dias e também à Casa das Caldeiras. A parte que tem lugar no TCSB (4 de Dezembro, a partir das 19h00) inclui a exibição de 3 documentários e um debate com o investigador Vicente Ríos.

Conversa com o Homem Roupeiro
A Companhia de Teatro de Braga regressa também a Coimbra este mês, com um dos espectáculos emblemáticos do seu percurso: “Conversa com o Homem Roupeiro”, de Ian McEwan. A “instalação teatral” é de autoria de Rui Madeira e Alberto Péssimo e desafia o espectador com o “humor requintadamente negro” do texto, retirado de um conto de McEwan publicado em 1975. Nascido em 1948, Ian McEwan é um dos mais conceituados autores britânicos e foi distinguido com vários prémios ao longo da sua carreira, entre os quais o “Man Booker Prize”, em 1998, pela obra “Amsterdam”.

Flores de Livro e Filarmónica União Taveirense
Dezembro é ainda o mês da última edição de 2013 de “Flores de Livro” – leitura de contos para as crianças por Cláudia Sousa. Terá lugar, como habitualmente, no primeiro sábado (dia 7), pelas 11h00.
A programação completa-se com o acolhimento de uma reunião aberta do Núcleo de Coimbra do Manifesto em Defesa da Cultura (2 de Dezembro), um debate sobre o sexismo nas praxes académicas promovido pela UMAR (10 de Dezembro) e um concerto da Filarmónica União Taveirense, no dia 15 de Dezembro (domingo, às 17h00), que actua pela primeira vez neste palco.

Assinaturas TCSB e Livraria do Teatro
A pretexto da aproximação do Natal, A Escola da Noite aproveita para relembrar duas boas hipóteses de prendas originais que os seus espectadores podem oferecer a familiares e amigos: as assinaturas TCSB (conjuntos de 5 ou 11 bilhetes para espectáculos, a utilizar durante 1 ano, por 30 ou 50 Euros) e as dezenas de livros de teatro que estão à disposição na Livraria do TCSB, aberta diariamente ao público.

 

Teatro da Cerca de São Bernardo, Coimbra
Programação de Dezembro

REUNIÃO
Reunião do Núcleo de Coimbra do Manifesto em Defesa da Cultura
02 de Dezembro
segunda-feira, 21h30
bar do TCSB > entrada livre
org. Núcleo de Coimbra do Manifesto em Defesa da Cultura

DOCUMENTÁRIOS
Chico Mendes, eu quero viver
realiz. Adrian Cowell (1989)
Financiando o Desastre: Com Chico Mendes
realiz. Adrian Cowell (1987)
04 de Dezembro
quarta-feira, 19h00
56′ + 15′ > entrada gratuita (limitada à lotação da sala)
org. Centro de Estudos Sociais (CES), Oficina Ecologia e Sociedade e European Network of Political Ecology – Entitle (em parceria com: IGPA PUC de Goyas), no âmbito da iniciativa “Ecologia e lutas sociais: homenagem a Chico Mendes (1944-1988)”

DEBATE
Filmando Chico Mendes
com Vicente Rios (IGPA/PUC/GO)
04 de Dezembro
quarta-feira, 20h45
entrada gratuita (limitada à lotação da sala)
org. Centro de Estudos Sociais (CES), Oficina Ecologia e Sociedade e European Network of Political Ecology – Entitle (em parceria com: IGPA PUC de Goyas), no âmbito da iniciativa “Ecologia e lutas sociais: homenagem a Chico Mendes (1944-1988)”

DOCUMENTÁRIO
Delta Force
realiz. Glen Ellis (1995)
04 de Dezembro
quarta-feira, 22h30
56′ > entrada gratuita (limitada à lotação da sala)
org. Centro de Estudos Sociais (CES), Oficina Ecologia e Sociedade e European Network of Political Ecology – Entitle (em parceria com: IGPA PUC de Goyas), no âmbito da iniciativa “Ecologia e lutas sociais: homenagem a Chico Mendes (1944-1988)”

CONFERÊNCIA
“Cultura ao Centro – sessão pública de apresentação de resultados Mais Centro 2013”

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com intervenções de Pedro Saraiva, Manuel Machado, Celeste Amaro e a demonstração de projectos apoiados por parte de: Centro de Artes e Espectáculos de Viseu, Teatro Virgínia (Torres Novas), Teatro Cine de Torres Vedras e ACERT (Tondela)
06 de Dezembro
sexta-feira, 14h00 – 18h00
entrada livre
org. Mais Centro / Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro

TEATRO
“Novas diretrizes em tempos de paz”
de Bosco Brasil
pel’A Escola da Noite
MÚSICA
“A OCP t[r]oca música com miúdos e graúdos”
OCP – Orquestra de Câmara Portuguesa e músicos das bandas filarmónicas do concelho de Seia
CULTREDE / Empresa Municipal de Cultura da Região de Seia
06 de Dezembro
sexta-feira, 21h30
entrada gratuita (limitada à lotação da sala)
org. Mais Centro / Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro, no âmbito da iniciativa “Cultura ao Centro – sessão pública de apresentação de resultados Mais Centro 2013”

LEITURA DE CONTOS / EXPOSIÇÃO-VENDA DE LIVROS PARA A INFÂNCIA
Flores de Livro?
por Cláudia Sousa
7 de Dezembro
sábado, 11h00
bar do TCSB > 60′ > M/4 > 3 Euros; 5 Euros (criança + adulto)

DEBATE
“Sexismo e violência(s) na praxe académica”
10 de Dezembro
terça-feira, 21h00
bar do TCSB > entrada livre
org. UMAR – Núcleo de Coimbra

TEATRO
Conversa com o Homem-Roupeiro
de Ian McEwan
pela Companhia de Teatro de Braga
12 a 14 de Dezembro
quinta a sábado, 21h30
70′ > M/16 > 5 a 10 Euros

MÚSICA
Filarmónica União Taveirense e solistas convidados
15 de Dezembro
domingo, 17h00
90′
org. FUT / Câmara Municipal de Coimbra

informações e reservas:

239 718 238 / 966 302 488 / geral@aescoladanoite.pt

Comunicado do Núcleo de Coimbra do Manifesto em Defesa da Cultura

Segunda-feira, Abril 15th, 2013

Na sequência da concentração e do comunicado do passado dia 12 de Abril, o Núcleo de Coimbra do Manifesto em Defesa da Cultura foi recebido na sexta-feira à tarde por Celeste Amaro, Directora Regional da Cultura do Centro.
Saímos deste encontro, solicitado por nós, com preocupações acrescidas em relação aos motivos que nos levaram a convocar o protesto nacional da semana passada, a propósito da publicação dos resultados dos concursos de apoio da Direcção-Geral das Artes.

Quanto ao facto de os resultados destes concursos significarem uma quebra de 41% em relação aos montantes atribuídos em 2009 e terem como consequência o fim do apoio público a diversas estruturas profissionais de criação e programação, a Directora-Regional remete a responsabilidade para a tutela mas mostra-se conformada com a situação, exemplificando com os cortes que a própria instituição que dirige foi obrigada a fazer por constrangimentos orçamentais da Secretaria de Estado da Cultura. Cortes esses, acrescentou, que têm impedido a abertura dos programas de apoio à acção cultural da própria DRCC, que não sabe se e quando irá retomar.

Quanto ao facto de a Região Centro ser mais penalizada do que a média nacional nos concursos da DGArtes, tanto na comparação com 2009 (quebra de 47% nos apoios atribuídos) quanto tendo como referência os apoios previstos para a Região no momento de abertura dos concursos (entretanto “desviados” para outras regiões), Celeste Amaro afirmou não estar satisfeita com os resultados mas mostrou-se incapaz de fornecer uma explicação para o sucedido, argumentando que a DRCC não foi consultada sobre esta decisão. Contrariando todos os discursos e intenções anteriormente manifestadas pelo Governo, os resultados apresentados agravam as assimetrias regionais no país, algo a que a Direcção Regional de Cultura do Centro parece indiferente.

Mais grave ainda, no entanto, é o facto de pela segunda vez (quatro meses depois de o ter feito numa sessão pública no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha) ter “alertado” os agentes culturais para a “possibilidade” de os valores agora atribuídos não virem a ser pagos na íntegra, em função de eventuais cortes adicionais que venham a ser decididos pelo Governo no decorrer no ano. Deu como exemplo a situação ocorrida em 2012, em que a DGArtes alterou unilateralmente os contratos que havia celebrado com as estruturas apoiadas, reduzindo o montante atribuído em 38%. A repetir-se uma situação deste género em 2013, e para além dos efeitos devastadores sobre o tecido cultural português, isso destruiria definitivamente a relação de confiança entre sociedade civil e Estado, indispensável ao correcto funcionamento de uma sociedade democrática.

Em resposta às críticas apresentadas pelo Manifesto em Defesa da Cultura quanto ao crescente desinvestimento público na Cultura (que actualmente representa apenas 0,1% do Orçamento Geral do Estado), Celeste Amaro aponta como única solução a procura de parcerias no sector privado, subscrevendo assim a tese dos que defendem e praticam a desresponsabilização do Estado nesta matéria.

Perante este conformismo e a falta de soluções manifestados pela representante da Secretaria de Estado da Cultura na Região Centro, o Manifesto em Defesa da Cultura reafirma a sua intenção de continuar a lutar pelo investimento público na cultura, como única forma de assegurar uma efectiva democratização cultural e o cumprimento do direito à criação e fruição artística, constitucionalmente reconhecido.
Recusamos a continuação de uma política que desvaloriza cada vez mais a actividade cultural no conjunto das políticas do Estado e não nos resignamos perante discursos conformados, chantagens ou ameaças veladas.
Queremos 1% do Orçamento Geral do Estado para a cultura e uma política cultural que cumpra o disposto na Constituição!

Núcleo de Coimbra do Manifesto em Defesa da Cultura
Coimbra, 14 de Abril de 2013